Alguma Literatura

Alguma Literatura

quinta-feira, 25 de julho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (Parte 8)

ENCARNAÇÕES DA FACA


8.


A mão ondula, olhos brincam de, nas nuvens, achar figuras –  (diversos) por serem fluidos, já que feitos de pensamento – estrada movimentada, cuidar com as ultrapassagens 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 7)

ENCARNAÇÕES DA FACA



7. ÁRVORE CAI INAUDITA

É da experiên-
Que mesmo o laten-
Carrega a essên-
Que ali jaz dormen-

Mas real seri-
A faca que dor-
Com a pratari-
Da casa a mais no-?

E real seri-
A faca escondi-
Em cutelari-
Dos olhos perdi-?

E real seri-
A faca que dor-
Sono de apati-
Com a paz confor-?

E real seri-
A faca escondi-
Velha velhari-
No uso preteri-?

Mais real seri-
Essa faca orna-
Só co’a serventi-
De ser admira-?

Faca não prova-
Por carne de gen-
Tem domestica-
A fera laten-.

O núcleo da fa-
Sua pura essên-
É ser mão que ata-

Longe da clemênci-.

terça-feira, 18 de junho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 6)

ENCARNAÇÕES DA FACA



6.


Mundo-faca – mãos agarram o volante, olhos na estrada – abre-se em outros tantos – mão para fora, sentindo o vento – tão diversos da exatidão da faca – mãos firmes, olhos atentos – diversos por serem leves.

domingo, 9 de junho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 5)

ENCARNAÇÕES DA FACA

5.  AMOR

Quem ama e o diz
Diante de quem
Não ama e responde
Amarga o desdém.

A alma se abre
Sem peso ou forma
Estrutura ampla
Porém lacunosa.

Adquire, com isso,
A liga do pão
Liga da manteiga
Parca coesão.

Sim, ela se abre
Como não devia
É um torso nu
Numa noite fria.

O “não” se é arma
É faca de chumbo
Que encontra no peito
Seu destino único.

O “não” é como uma
Criança aleijada
Na primeira fila
Da igreja lotada.

Negligenciada
Por santos cansados
De tantos milagres

Que não têm obrado.

domingo, 2 de junho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 4)

ENCARNAÇÕES DA FACA



4


Sina dos vivos, senti-lo, baleia (vida imensa) ao arpão. Esse, o fecho de uma imensa morte bicentenária. Portanto, imensidão.

domingo, 26 de maio de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 3)


ENCARNAÇÕES DA FACA


3. CADERNO POLICIAL

Foi faca de ponta
Num entra e sai
Que provou, mãe conta,
Sangue de meu pai.

Quem matou, não diz
Não quer nominá-lo,
Mas foi por um triz
Que não morreu Carlos.

O Carlos, tio meu,
Foi bem socorrido
Curado, viveu
E bem tem vivido.

Ele é pai pra mim
Só vi o de sangue
Na foto carmim
Lá no alto da estante.

Minha mãe, um dia,
Sumiu com o retrato.
Eu, por rebeldia,
Fui dormir no mato.

Volto no primeiro
Coricar do galo
Luz de candeeiro
Na fresta do quarto

E encontro, na cama,
A mãe com o tio.
Acende, inflama
Meu curto pavio.

Quando vi, morreu.
Corpo ensanguentado.
“Hoje, filho meu,
Seu pai foi vingado!”

quinta-feira, 23 de maio de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 2)


ENCARNAÇÕES DA FACA



2.

O mundo, a primeira faca a roçar os desnudos nervos do primeiro vivente. Lâmina dada a se fazer sentir nos olhos de quem vê, ouvidos de quem ouve, pele de quem sente.