Alguma Literatura

Alguma Literatura
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de outubro de 2013

O GATO E O TECLADO



O GATO E O TECLADO

Jers4656aebci
obgmruior-
---------4vqmavnjeka nbfjighcnv cnn

nnnnnnnnhfewak´~

domingo, 25 de agosto de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (final)

ENCARNAÇÕES DA FACA


11. MAL NOTURNO

Gente de carne, como é boba
Tua prevenção contra essa outra
De aço
De aço.

A lâmina não é fria,
Mas tua pele quente.

Tampouco, cortante,
Pele tua é que se desfaz, falta de coesão.

Essa, a ela sobra.
Coesa, precisa, ri de ti
Com ironia.
(O sorriso do cirurgião segundos antes
Da incisão).

Ela não carrega culpa.
O punho não o é, mas fronteira.
À culpa, cigana viandeira,
Só é dado trafegar dele
Para lá.

Mas pesadelos, os tem:
Diante de si, costas suculentas.
Por mais que voe,
Por mais que tente,
E que se esforce
Não consegue
Sangrá-las.




sexta-feira, 23 de agosto de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 10)

ENCARNAÇÕES DA FACA


10.


(É, o pensamento) a mais imprevisível das substâncias construtoras de mundos – caretas para quem vem no sentido oposto. Alguém nota? Quem nota ri? Eu gargalho como uma nuvem.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 9)

ENCARNAÇÕES DA FACA


9. CATÃO DE ÚTICA

O olhar severo
Que tinha catão –
Um homem austero –
Não era facão

Na vazia Útica
Catão solicita
A espada sua
Que fora escondida

Não era tesoura
Machado não era
Ou tosquiadora
Bisturi ou serra.

Seu servo, chorando,
Por fim lhe entrega
E deixa seu amo
Cumprir sua tarefa

Não era punhal
Cutelo ou adaga
Ou uma banal
Faca de estocada

No estômago um corte
E sujam o chão
Vísceras do forte
Do limpo Catão

Não era peixeira
Espada ou navalha
Foice ou lambedeira
Ou outra que o valha

Já quase sem vida
Ele encontrou meios
De abrir a ferida

Com os próprios dedos.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (Parte 8)

ENCARNAÇÕES DA FACA


8.


A mão ondula, olhos brincam de, nas nuvens, achar figuras –  (diversos) por serem fluidos, já que feitos de pensamento – estrada movimentada, cuidar com as ultrapassagens 

terça-feira, 18 de junho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 6)

ENCARNAÇÕES DA FACA



6.


Mundo-faca – mãos agarram o volante, olhos na estrada – abre-se em outros tantos – mão para fora, sentindo o vento – tão diversos da exatidão da faca – mãos firmes, olhos atentos – diversos por serem leves.

domingo, 9 de junho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 5)

ENCARNAÇÕES DA FACA

5.  AMOR

Quem ama e o diz
Diante de quem
Não ama e responde
Amarga o desdém.

A alma se abre
Sem peso ou forma
Estrutura ampla
Porém lacunosa.

Adquire, com isso,
A liga do pão
Liga da manteiga
Parca coesão.

Sim, ela se abre
Como não devia
É um torso nu
Numa noite fria.

O “não” se é arma
É faca de chumbo
Que encontra no peito
Seu destino único.

O “não” é como uma
Criança aleijada
Na primeira fila
Da igreja lotada.

Negligenciada
Por santos cansados
De tantos milagres

Que não têm obrado.

domingo, 2 de junho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 4)

ENCARNAÇÕES DA FACA



4


Sina dos vivos, senti-lo, baleia (vida imensa) ao arpão. Esse, o fecho de uma imensa morte bicentenária. Portanto, imensidão.

domingo, 26 de maio de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 3)


ENCARNAÇÕES DA FACA


3. CADERNO POLICIAL

Foi faca de ponta
Num entra e sai
Que provou, mãe conta,
Sangue de meu pai.

Quem matou, não diz
Não quer nominá-lo,
Mas foi por um triz
Que não morreu Carlos.

O Carlos, tio meu,
Foi bem socorrido
Curado, viveu
E bem tem vivido.

Ele é pai pra mim
Só vi o de sangue
Na foto carmim
Lá no alto da estante.

Minha mãe, um dia,
Sumiu com o retrato.
Eu, por rebeldia,
Fui dormir no mato.

Volto no primeiro
Coricar do galo
Luz de candeeiro
Na fresta do quarto

E encontro, na cama,
A mãe com o tio.
Acende, inflama
Meu curto pavio.

Quando vi, morreu.
Corpo ensanguentado.
“Hoje, filho meu,
Seu pai foi vingado!”

quinta-feira, 23 de maio de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 2)


ENCARNAÇÕES DA FACA



2.

O mundo, a primeira faca a roçar os desnudos nervos do primeiro vivente. Lâmina dada a se fazer sentir nos olhos de quem vê, ouvidos de quem ouve, pele de quem sente.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 1)


ENCARNAÇÕES DA FACA

1. FORJAS DE VULCANO

Que é de cuteleiro
Essa minha mão
Dá faca, faqueiro
Aos filhos de Adão.

E de cuteleiro
Esses dois meus braços
Agudos, certeiros
Fazem fio dos aços.

E de cuteleiro
Essa minha chaira
Devolve o luzeiro
À mais cega faca.

Nada mais me toca
Nada me comove
Como uma torta
Faca feia e pobre.

Ah, tosca cicica
Sem punho punhal
De ti deu notícia
O João Cabral?

Gume temporão
Regressa a teu pai
Segura na mão
De Vulcano e vai.

sábado, 27 de abril de 2013

GATUNO



GATUNO


Entrou noite passada                
Protegido pelo silêncio              
Dos surdos                                       


A ler os meus poemas
Incompletos, em andamento
Os últimos


Riscou palavras raras
Escreveu notas de censura
Rasuras


Fez pouco do poeta
Julgou parca sua visão
De mundo


Rasgou folhas e folhas
E deixou no papel a marca
Das unhas


Pediu-me um favor
Um poema ode homenagem:
Gatuno

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Leopoldo II, Rei do Congo






Leopoldo II, Rei do Congo


Ergueria o corpo todo
Acenaria, mas não!
Rei do congo, Leopoldo
Amputou-me os pés e as mãos


E me encantaria a morte?
Buscaria seu regaço?
Leopoldo, o rei do norte
Amputou-me os dois braços


Viveria o miúdo
Ouviria a voz contente
Leopoldo, o viúvo
Arrancou-lhe a vida quente


Vagaria por ruelas?
Erraria a roubar?
Leopoldo, rei dos belgas
Ordenou-me aqui ficar


Saberia o que não sei
Viajaria além-mar
Leopoldo, nosso rei
Mãos e pés mandou cortar


Viveria em um morro?
Pediria nas esquinas?
Leopoldo, o rei louco
Armou a carnificina


Faria sorriso longo
Seria como tu és
Leopoldo, rei do congo
Amputou-me as mãos e os pés


Morreria baleado?
Em luta com meu irmão?
Leopoldo coroado
Tirou-me a fé e a razão

sábado, 9 de fevereiro de 2013

PLANEJAMENTO



PLANEJAMENTO


Tomar nota
Hipócrita
Para não ter que lembrar.
Lembrar
Vagamente
Para não realizar.

Comprar livro
Decidido
Para não ter que ler.
Ler
Pernóstico
Não ter que refletir.
Refletir
Metódico
E jamais agir.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

SANTA MARIA, 27/01/2013


Mandem parar o poema!
Te levanta, guria
Fandanguear? Impossível
Dança, guria
Se o Rio Grande se apequena
Canta, guria
E a luz se faz artifício.


E que cesse mesmo o mundo
Não te acanha
Sua tão tola viagem
Não te aperta
Que se a dívida é chumbo
Prende o grito
Sua paga é coragem:


É guardar seiva da vida
Segura minha mão
Que tão jovem se rebenta
Toma teu mate
Juntá-la co’as mãos sofridas
Fala de ti
Solvê-la, boca sedenta.


Às densas trevas do agora
Acorda, guria
O sol se imporá de novo
Acorda
O amor seguirá à prova
Não dorme
De esquecimento e de fogo.

domingo, 9 de setembro de 2012

COMO BALA





A Cidade: uma fera confessa,
que ronca e rosna toda a sua fome.
O Homem, uma outra que consome
a vida sua a serviço da Pressa

(urgência de quem tem, forte e latente,
fome de pão e também de dinheiro)
por isso, na viagem, o passageiro
revisita o destino em sua mente

e, não estando lá, deveras sente
do lugar as cores, clima e cheiro.
A janela, o pensamento atravessa.

Voando, escapa ao olhar mais atento.
Você, que me julga a cuidar do vento,
não vê que pensando vou mais depressa?

sexta-feira, 6 de julho de 2012

VER SÓ COM A BOCA



 



1
Não sou cego, mas não enxergo bem
por isso me socorro dos molares,
incisivos, caninos, pré-molares
e de outros dentes, quando convém.

Outros como os dedos, se há ensejo.
Peçonhentos, os meus, como serpentes.
Mas se uso de enxergar com os dentes
(caninos enterrados no que vejo

Com mordidas que podem virar beijo
Ou trincadas ainda mais potentes)
Sei que ao ferir sou ferido também

O mundo – faca -  é liso e agudo
E a cada mistério que desnudo
Ele contra-ataca e cobre outros cem.


10
Só vê com os dentes quem da infância
Guardou pedaço no bolso consigo
Como aquele que deixa o melhor trigo
Para a parte final da comilança.

E não me faça essa cara assim
Como quem diz: “não contrario louco”.
Sei que o mundo não é moeda d´ouro...
Digo, o mundo é moeda sim!

E maçã, manga, banana e aipim.
Como o sangue que urina o matadouro.
É tão real quanto vômito e ânsia

E exato como o trilho solar
Necessário prensá-lo com o molar
A testar-lhe a essência e substância.

11
BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA
BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA
MORDIDA MORDIDA MORDIDA MORDIDA
MORDIDA MORDIDA MORDIDA MORDIDA

DENTES DENTES DENTES DENTES DENTES
DENTES DENTES DENTES DENTES DENTES
VERSOS VERSOS VERSOS VERSOS VERSOS
VERSOS VERSOS VERSOS VERSOS VERSOS

MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO
MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO
MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO

MOLARES MOLARES MOLARES MOLARES
MOLARES MOLARES MOLARES MOLARES
MOLARES MOLARES MOLARES MOLARES

100
Se ver com a boca muito lhe atrapalha
Se de outra forma o mundo lhe invad´alma
Peço-lhe apenas atenção e calma
Poucos versos me restam na cangalha

E, com esses versos poucos, invisto:
Sem ouro, prata, anel ou adorno
Sem possuir nem este vinho morno
Ou o intervalo em que existo

Ou o lápis com que escrevo isto
Sinto-me dono daquilo que mordo.
Sou senhor de coisas que o vento espalha

Se essas não estiverem no laço
Exceção seja feita, como eu faço
À boca que é minha e não me falha.

terça-feira, 8 de maio de 2012

ATRIZ DECADENTE

Quando pousa sobre as rugas
de uma velha, outrora bela,
a vaidade me toca, no peito,
um acorde que, sendo melancólico,
conduz mais ao escárnio
menos à lágrima.