Alguma Literatura
terça-feira, 16 de outubro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
PARA ESCREVER NUMA CAMISETA
1
Provavelmente estou mentindo.
♥♠♣♦
2
Desculpe, não falo português.
♥♠♣♦
3
Minha outra camisa é de marca.
♥♠♣♦
4
Posso atrapalhar?
♥♠♣♦
5
Minha outra camisa está limpa.
♥♠♣♦
6
Deixei meu smoking no iate.
♥♠♣♦
7
Quer um abraço? Eu não.
♥♠♣♦
8
Não podem provar nada contra mim.
♥♠♣♦
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Eloquência
-Como você sabe quando o quadro
está pronto?
-Quando ele fala por si.
-Esse não está né?
-Está... Ele é do tipo caladão mesmo.
domingo, 9 de setembro de 2012
COMO BALA
A
Cidade: uma fera confessa,
que
ronca e rosna toda a sua fome.
O
Homem, uma outra que consome
a
vida sua a serviço da Pressa
(urgência
de quem tem, forte e latente,
fome
de pão e também de dinheiro)
por
isso, na viagem, o passageiro
revisita
o destino em sua mente
e,
não estando lá, deveras sente
do
lugar as cores, clima e cheiro.
A
janela, o pensamento atravessa.
Voando,
escapa ao olhar mais atento.
Você,
que me julga a cuidar do vento,
não
vê que pensando vou mais depressa?
terça-feira, 28 de agosto de 2012
ENCONTRO DE MANUEL BANDEIRA COM MACHADO DE ASSIS
“1896-1902
(...)
Viajando em
um bonde na companhia de Machado de Assis, conversam os dois sobre Camões, e o
jovem colegial tem o orgulho de recitar para o mestre uma oitava de Os Lusíadas
de que este queria lembrar-se e cujas palavras exatas haviam se apagado em sua
memória.”
(CRONOLOGIA DE MANUEL BANDEIRA [organizada pelo
próprio autor] In Libertinagem e Estrela da Manhã. Editora Nova Fronteira).
Diário do jovem Manuel Bandeira:
“Que
sorte a minha! Esse é o dia mais feliz da minha vida! A viagem tinha tudo para
ser maçante, mas eis que encontro, viajando só, o grande Machado de Assis! Dá
para acreditar? Não resisti e me aproximei. Disse o quanto o admirava. Como ele
se mostrou um homem calado, aproveitei que no dia anterior havia decorado, por
absoluta falta do que fazer, uma oitava de Os Lusíadas (‘Passada esta tão
próspera vitória...’) para conduzir a conversa primeiro para Camões, depois Os
Lusíadas e, em seguida, para o episódio de Inês de Castro. Enfatizei como
admirava a elegância da primeira oitava a ela dedicada. Estrofe que, a um só
tempo, introduz e sintetiza toda a tragédia. Foi o que bastou para que ele
tentasse, sem sucesso, lembrar-se das sua exatas palavras. Pedi licença e, sem
pestanejar, recitei a oitava na íntegra. Que orgulho! Foi um dia bom.”
Diário do velho Machado de Assis:
“Que
azar o meu! A viagem tinha tudo para ser tranquila, mas eis que me aparece, do
nada, um meninote tagarela, recitando Os Lusíadas de cor. Dá para acreditar?
Que porre! Hoje eu pedi para morrer.”
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
HELENO: UM PERFIL
Em política, “democrata ortodoxo”
dizia beócio. Ao telefone, lacônico. Tópico insofismável: alheio à metafísica.
Pudera. Submetido à tirânica odisseia de um trabalho hercúleo, hipnótico.
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