Alguma Literatura

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

ENCONTRO ENTRE OBAMA E DILMA


- Olha Obama, estou muito chateada! Todo mundo diz que você anda me espionando! Eu trouxe até um dossiê que meu assessor preparou – procura o documento na bolsa – deixa eu ver onde coloquei...
- No bolso externo.
- Ah é! Tá aqui. Peraí!! Como você...
- Deduzi, ora essa.
- Tá certo... Então olha só: existem dez perguntas aqui que eu gostaria de lhe fazer. Cadê, cadê... Bem aqui! Não. Deixa eu procurar.
- Página 14, item 3.2 “Questões Relevantes”.
- Não acredito! Você ainda tá me espionando!
- Desculpe, Dilma, mas não dá para resistir. À propósito, as respostas são: 1. “Terrorismo”, 2. “Terrorismo”, 3. “Não”, 4. “Não posso dizer”, 5. “Nunca”, 6. “Terrorismo” (de novo), 7. “Não sei” (juro), 8. “É mentira”, 9. “Sim” e 10. “20 centímetros”.
- “20 centímetros”??!
- Não era isso? Ih! Desculpe-me... Entendi mal. É que esse trecho ficou ambíguo ó – e grifa uma linha.
- Bem que eu disse ao meu assessor! 

domingo, 25 de agosto de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (final)

ENCARNAÇÕES DA FACA


11. MAL NOTURNO

Gente de carne, como é boba
Tua prevenção contra essa outra
De aço
De aço.

A lâmina não é fria,
Mas tua pele quente.

Tampouco, cortante,
Pele tua é que se desfaz, falta de coesão.

Essa, a ela sobra.
Coesa, precisa, ri de ti
Com ironia.
(O sorriso do cirurgião segundos antes
Da incisão).

Ela não carrega culpa.
O punho não o é, mas fronteira.
À culpa, cigana viandeira,
Só é dado trafegar dele
Para lá.

Mas pesadelos, os tem:
Diante de si, costas suculentas.
Por mais que voe,
Por mais que tente,
E que se esforce
Não consegue
Sangrá-las.




sexta-feira, 23 de agosto de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 10)

ENCARNAÇÕES DA FACA


10.


(É, o pensamento) a mais imprevisível das substâncias construtoras de mundos – caretas para quem vem no sentido oposto. Alguém nota? Quem nota ri? Eu gargalho como uma nuvem.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 9)

ENCARNAÇÕES DA FACA


9. CATÃO DE ÚTICA

O olhar severo
Que tinha catão –
Um homem austero –
Não era facão

Na vazia Útica
Catão solicita
A espada sua
Que fora escondida

Não era tesoura
Machado não era
Ou tosquiadora
Bisturi ou serra.

Seu servo, chorando,
Por fim lhe entrega
E deixa seu amo
Cumprir sua tarefa

Não era punhal
Cutelo ou adaga
Ou uma banal
Faca de estocada

No estômago um corte
E sujam o chão
Vísceras do forte
Do limpo Catão

Não era peixeira
Espada ou navalha
Foice ou lambedeira
Ou outra que o valha

Já quase sem vida
Ele encontrou meios
De abrir a ferida

Com os próprios dedos.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (Parte 8)

ENCARNAÇÕES DA FACA


8.


A mão ondula, olhos brincam de, nas nuvens, achar figuras –  (diversos) por serem fluidos, já que feitos de pensamento – estrada movimentada, cuidar com as ultrapassagens 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

ENCARNAÇÕES DA FACA (parte 7)

ENCARNAÇÕES DA FACA



7. ÁRVORE CAI INAUDITA

É da experiên-
Que mesmo o laten-
Carrega a essên-
Que ali jaz dormen-

Mas real seri-
A faca que dor-
Com a pratari-
Da casa a mais no-?

E real seri-
A faca escondi-
Em cutelari-
Dos olhos perdi-?

E real seri-
A faca que dor-
Sono de apati-
Com a paz confor-?

E real seri-
A faca escondi-
Velha velhari-
No uso preteri-?

Mais real seri-
Essa faca orna-
Só co’a serventi-
De ser admira-?

Faca não prova-
Por carne de gen-
Tem domestica-
A fera laten-.

O núcleo da fa-
Sua pura essên-
É ser mão que ata-

Longe da clemênci-.