Alguma Literatura

Alguma Literatura

sábado, 28 de julho de 2012

5 MICROCONTOS




QUINZE DE PAUS
“Minha canastra vai ser real”, blefou canastrão. Na caderneta, dois mil no buraco.

♠♣♥♦



TEXTO: “FIQUE À VONTADE”
Subtexto: Sou o anfitrião. Você; a visita. Melhor andar na linha.

♠♣♥♦


NO MEDIEVO, ANTES TROVADOR QUE CRUZADO
Buscasse a todo custo a originalidade, não me acabaria tolhida a criatividade?

♠♣♥♦

“POR FINEZA...”
Quando começava assim, vinha grosseria na certa.

♠♣♥♦

DESPIA-SE
Parou. Calcinha nos joelhos:
- Você vai deixar ela, né?

sexta-feira, 6 de julho de 2012

VER SÓ COM A BOCA



 



1
Não sou cego, mas não enxergo bem
por isso me socorro dos molares,
incisivos, caninos, pré-molares
e de outros dentes, quando convém.

Outros como os dedos, se há ensejo.
Peçonhentos, os meus, como serpentes.
Mas se uso de enxergar com os dentes
(caninos enterrados no que vejo

Com mordidas que podem virar beijo
Ou trincadas ainda mais potentes)
Sei que ao ferir sou ferido também

O mundo – faca -  é liso e agudo
E a cada mistério que desnudo
Ele contra-ataca e cobre outros cem.


10
Só vê com os dentes quem da infância
Guardou pedaço no bolso consigo
Como aquele que deixa o melhor trigo
Para a parte final da comilança.

E não me faça essa cara assim
Como quem diz: “não contrario louco”.
Sei que o mundo não é moeda d´ouro...
Digo, o mundo é moeda sim!

E maçã, manga, banana e aipim.
Como o sangue que urina o matadouro.
É tão real quanto vômito e ânsia

E exato como o trilho solar
Necessário prensá-lo com o molar
A testar-lhe a essência e substância.

11
BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA
BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA BOCA
MORDIDA MORDIDA MORDIDA MORDIDA
MORDIDA MORDIDA MORDIDA MORDIDA

DENTES DENTES DENTES DENTES DENTES
DENTES DENTES DENTES DENTES DENTES
VERSOS VERSOS VERSOS VERSOS VERSOS
VERSOS VERSOS VERSOS VERSOS VERSOS

MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO
MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO
MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO MUNDO

MOLARES MOLARES MOLARES MOLARES
MOLARES MOLARES MOLARES MOLARES
MOLARES MOLARES MOLARES MOLARES

100
Se ver com a boca muito lhe atrapalha
Se de outra forma o mundo lhe invad´alma
Peço-lhe apenas atenção e calma
Poucos versos me restam na cangalha

E, com esses versos poucos, invisto:
Sem ouro, prata, anel ou adorno
Sem possuir nem este vinho morno
Ou o intervalo em que existo

Ou o lápis com que escrevo isto
Sinto-me dono daquilo que mordo.
Sou senhor de coisas que o vento espalha

Se essas não estiverem no laço
Exceção seja feita, como eu faço
À boca que é minha e não me falha.

sábado, 16 de junho de 2012

Artigo de Fernando Monteiro



Queridos dois leitores,
Encontrei, no ótimo Jornal Rascunho, um artigo interessantíssimo do escritor Fernando Monteiro sobre a literatura produzida na internet.
Para ler o artigo, clique aqui.
Abraços!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

E SE OS ROMANCES FOSSEM MICROCONTOS?




GRANDE SERTÃO: VEREDAS

Ele era ela.


♠♣♥♦


CEM ANOS DE SOLIDÃO

Em um século, tudo pode acontecer.


♠♣♥♦


DOM CASMURRO

- És corno.
- Gostaria de uma segunda opinião.
- Nesse caso, sugiro que se consulte com a Dra. Caldwell.


♠♣♥♦


CRIME E CASTIGO

Matar uma velha pode lhe dar uma baita dor de cabeça.


♠♣♥♦


O VELHO E O MAR

Peixe teimoso. Pescador ainda mais. Os tubarões agradecem.

sábado, 2 de junho de 2012

10 MINISTÓRIAS






LOUQUINHO POR MIM

Não é que de noite o guri me adicionou no Face?


♠♣♥♦

BALIZA

Entre o meio-fio e a rua, uma rampa de aço. A borda, pontiaguda, ameaçava os pneus. Manobrava tranquilo, pois enxergara o flanelinha, olhando para o pneu e para a rampa, para a rampa e para o pneu. Não gesticulava, mas olhava. “Quando estiver pra bater ele vai avisar”. E seguiu na marcha à ré. Um estampido e um chiado. Sai do carro:
- Por que você não disse pra eu parar!!
- …
- Fala!
- Ele não fala não, seu moço. Doidin, coitado, passa o dia namorando os pneus. Gosta do estouro.

♠♣♥♦


DOUTOR, AGORA SEI QUE ENLOUQUECI DE VEZ

“Ouve vozes?”, “Não. Acredito em você.”

♠♣♥♦

“ BEM AQUI Ó! ” – NA PONTA DA FACA

Onde está seu coração?

♠♣♥♦

COMPARAÇÃO

“Nossa! Maior do que o do meu marido!”


♠♣♥♦

ANTES DE DORMIR

Checava debaixo da cama, dentro do armário, atrás da porta e, através das persianas, conferia o movimento da rua.

♠♣♥♦

PODRE POR DENTRO

Boa estatura. Rosto corado. Grandes olhos negros. Gracioso nos movimentos. Ponderado nas palavras. Amigo dos seus amigos. Adversário leal. Quem haveria de suspeitar?

♠♣♥♦

LUCRAM OS DENTES OU LUCRA A BOCA?

Quando a ninfeta morde os lábios.

♠♣♥♦


PANOS BRANCOS

- Pronto, agora você sabe o que é homem.
- An-an. Agora VOCÊ sabe que eu sei.

♠♣♥♦

MOTEL DST

“Vocês já consideraram mudar o nome?”
Daniel se mostrou receptivo. Sérgio e Tiago não.

segunda-feira, 28 de maio de 2012